Agentic AI em 2026: do “piloto eterno” à vantagem competitiva real — o playbook que a HugLabs está usando

Se você lidera produto, tecnologia ou operações, provavelmente já viveu este paradoxo: a empresa “usa IA” em vários pontos, mas o resultado no negócio parece pequeno, difuso, difícil de medir. E não é impressão.

A pesquisa global da QuantumBlack/McKinsey mostra que 88% dos respondentes reportam uso regular de IA em ao menos uma função de negócio  — porém apenas 39% atribuem algum impacto de EBIT à IA, e a maioria desses diz que menos de 5% do EBIT vem desse uso . Em paralelo, IA já melhora inovação e satisfação (ganhos qualitativos aparecem), mas o salto “enterprise-level” ainda é raro .

O que muda em 2026 é que a conversa deixa de ser “copilotos e chatbots” e passa a ser agentes: sistemas capazes de planejar e executar múltiplos passos em um fluxo, agindo “no mundo real” via ferramentas, sistemas e dados . E aqui está o ponto central deste artigo:

Agentic AI não é um recurso. É uma mudança de arquitetura + governança + cultura operacional.

O que é Agentic AI (sem hype)

Em termos práticos, Agentic AI é quando você troca “prompt → resposta” por objetivo → plano → execução → verificação → melhoria.

A própria McKinsey define agentes como sistemas baseados em foundation models capazes de agir, planejar e executar múltiplos passos . Em adoção, os números já mostram tração:

            •           23% reportam que já estão escalando um sistema agentic em alguma parte da empresa .

            •           39% dizem que estão experimentando agentes .

            •           Mesmo assim, a maioria dos que escala agentes está fazendo isso em apenas 1–2 funções, e em qualquer função específica não passa de 10% reportando escala .

Ou seja: a onda começou, mas ainda está no “primeiro quilômetro” da maratona.

Por que quase todo mundo fica preso em piloto

A própria McKinsey coloca o diagnóstico com precisão: quase dois terços ainda estão em experimentação ou piloto e não escalaram IA no nível enterprise.

O que distingue os poucos que conseguem valor real?

A pesquisa define os “AI high performers” como quem reporta ≥5% de EBIT impact e “valor significativo” (cerca de 6% dos respondentes) . Esse grupo é:

            •           Mais de 3x mais propenso a buscar mudança transformadora via IA .

            •           Quase 3x mais propenso a redesenhar workflows de forma fundamental .

            •           Mais avançado em agentes: em várias funções, são ≥3x mais propensos a estar escalando agentes .

            •           E têm liderança no volante: são 3x mais propensos a concordar fortemente que a liderança sênior demonstra ownership e compromisso .

            •           Também colocam processos formais de quando e como outputs exigem validação humana .

A leitura é direta: não é falta de modelo. É falta de produto operacional, com processos, desenho de trabalho e governança.

O “momento agente”: por que 2026 é diferente

A adoção de agentes cresce porque eles atacam justamente a parte “difícil” da transformação: processos ponta a ponta, não tarefas isoladas.

E isso exige uma virada de mentalidade que a McKinsey descreve como mandato executivo:

            •           sair de iniciativas dispersas para programas estratégicos;

            •           sair de use cases para processos de negócio;

            •           sair de times de IA isolados para squads cross-funcionais;

            •           sair de experimentos para entrega industrializada .

A arquitetura que separa “demo” de “escala”: Agentic AI Mesh

A partir do momento em que você coloca agentes para operar em sistemas reais, surgem riscos novos: autonomia descontrolada, acessos fragmentados, falta de observabilidade, superfície de ataque maior, e o maior de todos: agent sprawl .

Por isso, a McKinsey propõe um shift arquitetural: abandonar um stack “LLM-cêntrico” e migrar para um ambiente modular, governado, feito para ecossistemas de agentes: o agentic AI mesh .

Ela define esse “mesh” como uma arquitetura:

            •           composable, distributed, vendor-agnostic

            •           onde múltiplos agentes podem raciocinar, colaborar e agir sobre sistemas e ferramentas com segurança e escala .

E lista princípios que, na prática, viram requisitos de plataforma:

            •           Composability: plugar agentes, ferramentas e LLMs sem rework

            •           Distributed intelligence: decompor tarefas em redes de agentes

            •           Layered decoupling: separar lógica, memória, orquestração e interface

            •           Vendor neutrality (incluindo preferência por padrões abertos como MCP e A2A)

            •           Governed autonomy: políticas, permissões e escalonamento embutidos

Se sua empresa está “colando” memória/orquestração por cima do que já tem, vale reler esta frase com calma: não é suficiente; o que se pede é uma mudança fundamental de arquitetura .

 

Os 7 blocos mínimos de um ecossistema de agentes (o checklist da HugLabs)

A McKinsey descreve sete capacidades do mesh. Esse trecho é praticamente um checklist de plataforma:

            1.         Agent/workflow discovery (catálogo dinâmico, reuse e políticas)

            2.         AI asset registry (prompts, configs, tools, versionamento, access control)

            3.         Observability (tracing end-to-end, logs e métricas)

            4.         AuthN/AuthZ (blast radius e controles finos)

            5.         Evaluations (testes contínuos e compliance)

            6.         Feedback management (loops de melhoria com métricas)

            7.         Compliance & risk management (guardrails, agentes de compliance, ética)

Se você quiser transformar isso em backlog, o caminho é: primeiro observabilidade + registry + avaliação, depois escala.

O que muda no “modelo de operação” (Operating Model) com agentes

A McKinsey é explícita: o maior desafio não é técnico — é humano .

Três frentes dominam a transformação:

            •           Cohabitação humano–agente: quando o agente toma iniciativa vs. quando deferir; como manter supervisão sem matar o valor

            •           Controle de autonomia: agentes “respondem, adaptam, surpreendem”; governar edge cases e escalonamento

            •           Sprawl containment: a explosão de agentes “shadow IT” com low/no-code

E isso volta ao operating model: squads cross-funcionais, papéis novos e disciplina de entrega.

A McKinsey chega a nomear novos papéis (úteis para estruturar equipe e RH): prompt engineers, agent orchestrators, human-in-the-loop designers .

 

Dados: o combustível que mais quebra o projeto (e como os high performers lidam)

O relatório reforça que alto desempenho vem de práticas de transformação e infraestrutura. Entre os high performers:

            •           há mais investimento (por exemplo, >20% do budget digital em IA, em mais de um terço deles)

            •           e mais escala: cerca de três quartos dizem estar escalando ou já ter escalado IA

Isso combina com a orientação de “data productization”: sair de pipelines específicos e criar produtos de dados reutilizáveis, com governança também para dados não estruturados .

 

Governança: por que “vamos colocar guardrails” não basta

Do lado de governança, a WEF sintetiza o dilema: 82% dos executivos planejam adotar agentic AI em 1–3 anos, mas a maioria não tem clareza de como avaliar e gerenciar agentes responsavelmente .

Na prática, governança de agentes precisa ser:

            •           progressiva (começa simples, fica mais rigorosa com autonomia e criticidade)

            •           baseada em classificação funcional (papel, autonomia, previsibilidade, contexto)

            •           acoplada a monitoramento contínuo (observabilidade + avaliações + feedback loops)

 

“Como eu começo?” — Um plano de execução de 90 dias (usado pela HugLabs)

Abaixo está um plano pragmático. Ele não depende de “mágica de modelo”; depende de engenharia, produto e governança.

Dias 0–30: escolher o domínio certo e provar valor com controle

            1.         Escolha 1 processo ponta a ponta (não um “use case” isolado). A orientação aqui é explícita: agentes mudam a unidade de transformação de “caso” para “processo”.

            2.         Defina o limite de autonomia e o ponto de escalonamento humano (human validation). Essa prática distingue high performers.

            3.         Instrumente observabilidade desde o primeiro dia.

Dias 31–60: transformar PoC em produto interno

            1.         Crie um AI asset registry (prompts, tools, configs, versionamento).

            2.         Estabeleça avaliações contínuas (regressão, segurança, compliance).

            3.         Defina o “contrato” de dados e comece a migrar para data products.

Dias 61–90: preparar escala e reduzir risco de sprawl

            1.         Institua discovery/catalog de agentes para reuse e políticas.

            2.         Formalize controles de AuthN/AuthZ e blast radius.

            3.         Crie o modelo de squad cross-funcional para entrega contínua.

 

O que a HugLabs acredita (e como isso vira produto para clientes)

Na HugLabs, a tese é simples:

            1.         Agentes só geram valor com rastreabilidade. Por isso observabilidade e avaliação não são “nice to have”; são pilar de plataforma .

            2.         Autonomia precisa ser governada. O ganho vem de agentes operando, mas com políticas, permissões e escalonamento embutidos .

            3.         O diferencial competitivo está no custom. Off-the-shelf agiliza rotinas, mas vantagem estratégica vem de agentes alinhados à lógica, fluxos e “value levers” da empresa .

            4.         Workflows redesenhados vencem. O dado é forte: high performers são quase 3x mais propensos a redesenhar workflows.

 

A pergunta que separa “IA como custo” de “IA como moat”

Se você quiser um teste rápido para seu comitê executivo, use esta pergunta (adaptada do espírito do playbook):

“O que este processo pareceria se agentes executassem 60% dele?”

Ela desloca a conversa de “onde encaixar IA” para “como o negócio muda”.

 

Se você quiser levar isso para a sua empresa

Se você quiser, eu adapto este playbook em um roteiro objetivo (com backlog e arquitetura-alvo) para um domínio específico do seu contexto — por exemplo: atendimento multicanal, cobrança, backoffice financeiro, compras, operações, suporte interno (IT/knowledge management), ou qualquer processo com alto volume e baixa padronização.

O ponto é: agentes não são mais um experimento. O mercado já está se movendo — e os dados mostram quem está colhendo valor de verdade e por quê .

Links para os artigos:

McKinsey — The state of AI in 2025: Agents, innovation, and transformation

https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights/the-state-of-ai

 

McKinsey — Seizing the agentic AI advantage (página)

https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights/seizing-the-agentic-ai-advantage

 

McKinsey — Seizing the agentic AI advantage (PDF direto)

https://www.mckinsey.com/~/media/mckinsey/business%20functions/quantumblack/our%20insights/seizing%20the%20agentic%20ai%20advantage/seizing-the-agentic-ai-advantage.pdf

 

World Economic Forum — AI Agents in Action: Foundations for Evaluation and Governance

https://www.weforum.org/publications/ai-agents-in-action-foundations-for-evaluation-and-governance/

 

PwC — Agentic AI: the new frontier in GenAI (PDF)

https://www.pwc.com/m1/en/publications/documents/2024/agentic-ai-the-new-frontier-in-genai-an-executive-playbook.pdf

 

PwC — Agentic AI: the new frontier in GenAI (página)

https://www.pwc.com/m1/en/publications/agentic-ai-the-new-frontier-in-genai.html

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