O que eu aprendi como alguém da área de Marketing depois de 6 meses trabalhando com IA em uma Tech

Bom, é a primeira vez que apareço em qualquer comunicação da Hug falando diretamente com você, caro leitor. Sou o Ian, o Head de Marketing por aqui. Há mais ou menos 6 meses, o Raul, nosso CEO, me fez uma proposta de vir trabalhar com o resto do time, para tocar a área comunicativa e estratégica da empresa.

Estava levemente tenso com esse novo começo, pois não me considerava um conhecedor de IA, muito menos alguém que conseguisse passar toda a visão do time para o campo público.

As primeiras 4-5 semanas foram caóticas: eram dezenas de palavras novas que eram faladas nas reuniões, e eu precisava ter no mínimo uma noção do significado delas, pois seriam importantes para o desenvolvimento da comunicação da Hug. Neste período, as ideias para postagens no LinkedIn eram escassas, e transmitir a mensagem certa era desafiador. Deixo aqui minha gratidão para o resto do time que me ajudou com conteúdo, além de deixar cada vez mais claro o que as tão temidas palavras queriam dizer.

Apesar do desconhecimento sobre a área, eu havia participado de um módulo na faculdade sobre questões mais filosófica e sociológicas sobre o uso da IA, o que me ajudou bastante a entender mais a fundo o que estávamos fazendo na Hug. O certo ceticismo que eu tinha sobre o potencial de impacto da tecnologia fora do âmbito de ChatGPTs, VEO3s e Claudes foi se esvaindo aos poucos.

Não se trata de uma tecnologia que vai acabar com o mercado de trabalho humano em algumas áreas, mas sim algo que otimiza o tempo do trabalhador, de modo que ele possa focar mais em processos de mais importância, que antes tomavam um valioso tempo.

Em meio ao caos do meu início, decidi recorrer à IA para tentar me estabilizar. tentava um prompt aqui, outro ali, mas não conseguia fazer ela trabalhar do jeito que eu queria. Após muita tentativa e erro, mas sempre colocando muito insight humano e criativo para tentar treinar a tecnologia para me servir, eu consegui chegar em um estágio onde posso focar mais no processo criativo. A IA já sabe que palavras usar, como usá-las, onde fazer pesquisas, como formatar diferentes tipos de publicação, e acima de tudo, sabe o que eu quero. Recentemente começamos a lançar alguns conteúdos em vídeo, que foram todos frutos dos insights do time em combinação com a estruturação de tudo pela IA. O que isso quer dizer? Reitero: foco no que mais importa.

Ao longo que fui pegando o jeito da coisa, minhas responsabilidades foram crescendo. Esse novo leque de atuação me fez participar muito mais de certas decisões e conversas, o que deu um gás na minha disposição. É claro, ser de uma área não muito tecnológica, com poucos conhecimentos não só de IA, mas também de computação no geral, e além de tudo estar em uma empresa de tecnologia rodeado por devs e pesquisadores, pode ser um pouco desanimador. Mas eu não era o mesmo nessa situação.

O nosso gerente de vendas, André, estava passando pela mesma coisa. Não vou falar por ele, mas acredito que as primeiras semanas dele foram muito semelhantes às minhas. Mas com sua experiência e instinto, ele conseguiu traduzir toda a nossa tecnologia em um grande conglomerado de pequenas ideias que eram compreensíveis até para os mais leigos, como eu. Hoje, gosto de acreditar que dominamos o conteúdo Hug, coisa que parecia ser impossível no começo.

E claro, não posso negligenciar o apoio que me foi dado pelo Raul. Ele acreditou no meu potencial desde o começo, e foi aprendendo a me utilizar de maneira mais expansiva, sempre explicando conceitos e ideias com cuidado e paciência.

O que antes era uma rotina curta de criação de postagens, eventuais reuniões, e um sentimento de distância com o que estava acontecendo na empresa, virou algo muito bom. Desenvolvo campanhas, dou pitaco para ideias de como melhorar os nossos produtos, medio a comunicação com prestadores de serviço, e claro, sigo fazendo os posts.

Apesar do legado que funcionários de tecnologia têm de serem workaholics que passam o dia em frente ao computador, sem muita interação humana, trabalhar aqui com certeza diluiu esse estigma dentro da minha cabeça. Apesar de cada um ter a sua própria área, o feeling de tudo é de uma grande colaboração. E isso tem dado muito resultado nos últimos tempos, com funções novas sendo desenvolvidas e mais clientes participando do nosso abraço. Quem diria que uma empresa que vende produtos com uma tecnologia "desumanizadora" está recheada de pessoas que trabalham com empatia, e se comunicam muito bem.

Ter redigido essa pequena história serviu como um momento bem gostoso de reflexão do meu tempo na Hug até então. E me fez também ser muito grato por tudo que estou vivendo, fora da minha zona de conforto e livre de quaisquer muletas que poderia usar para me apoiar.

Mas por fim, o que aprendi? A IA veio pra ficar. E quanto mais cedo aceitarmos isso e conseguirmos incorporar ela à partes da nossa rotina, melhor será. Resistência a um movimento desse tamanho não me soa muito esperto - todos podem aprender muito sobre não só tecnologia, mas também sobre os seres humanos, como funcionam e do que precisam. As críticas pertinentes acerca da tecnologia e da indústria movem e motivam os trabalhadores da área para construir um futuro mais leve e sustentável. Afinal, como melhorar sem entender a dor e reclamações dos outros? Invocando agora o meu modo mais publicitário, digo que é essa empatia que nos move a desenvolver um produto como a Hug Your Customer. Atendimento de qualidade e com entendimento é algo que o cliente merece, e o atendente precisa ter seu tempo para focar nisso.

Talvez ter trabalhado com pessoas que estão cientes do que queremos atingir com os nossos produtos tenha tornado a minha visão sobre tudo isso mais positiva do que ela deveria ser. Mas talvez não. O que posso concluir com segurança é que estar ao redor da IA e trabalhar com isso no dia-a-dia me tornou mais humano, e mais sensível para o que está acontecendo ao meu redor. Vou até mais longe e digo que não sou minoria na Hug que vê essa questão do mesmo jeito. E eu tenho certeza que você também consegue atingir isso. Pois no final, isso é apenas uma questão de perspectiva, coisa que você consegue pelo próprio bem facilmente mudar.

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